Representantes da cultura, das artes, da economia criativa e de atividades ligadas às tradições do Pantanal participaram, nesta terça-feira (6), no Escritório Regional do Sebrae/MS em Coxim, de um encontro para apresentação da proposta de mapeamento dos ícones da cultura pantaneira no município. A iniciativa integra as ações de apoio do Sebrae/MS à implantação dos Centros de Tradições Pantaneiras (CTPs) em Mato Grosso do Sul e marca o início da articulação com os atores culturais locais.
A proposta é identificar pessoas, manifestações, saberes, práticas e outros elementos que ajudam a representar a identidade pantaneira em Coxim. O levantamento será construído de forma participativa, a partir da escuta de quem vive no território, atua com cultura e mantém vivas as tradições que fazem parte da história do município.
Para a gerente da Regional Norte do Sebrae/MS, Luzicarla Softov, a iniciativa busca dar visibilidade às referências culturais de Coxim e fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade em relação ao Pantanal. “Coxim tem uma relação muito forte com o Pantanal e reúne pessoas que carregam conhecimentos, histórias e práticas que fazem parte dessa identidade. Esse mapeamento é importante justamente para dar visibilidade a essas referências e aproximar os diferentes atores que atuam com a cultura pantaneira. A partir dessa mobilização, queremos contribuir para que essas tradições sejam preservadas, valorizadas e também possam gerar novas oportunidades para o município”, destacou.
A consultora do Sebrae/MS, Denise Silva, ressaltou que cada região do Pantanal possui características culturais próprias, construídas a partir da história e da influência de diferentes povos. “A cultura pantaneira é um grande mosaico e, por isso, o mapeamento precisa partir da escuta de quem está no território, identificando como essas pessoas se reconhecem enquanto pantaneiras e quais referências representam sua realidade. Algumas características são compartilhadas, mas outras são únicas, como a Rota das Monções em Coxim. O objetivo é ouvir os guardiões dessa memória e construir estratégias para preservar esse patrimônio cultural material e imaterial”, explicou.
Cultura, turismo e pertencimento fortalecem identidade pantaneira
A gerente de Turismo de Coxim, Daiane Azzolin, ressaltou a relação histórica do município com o Pantanal e destacou que o fortalecimento dessa identidade pode ampliar o sentimento de pertencimento da população e também as oportunidades para o turismo. “Para nós, essa iniciativa é de suma importância. Coxim é o Portal do Pantanal e está na porta dos dois Pantanais. Reavivar essa cultura pantaneira é fundamental. Hoje temos o Centro de Cultura Nordestina e o Centro de Tradições Gaúchas, mas somos do Pantanal e ainda não temos essa mesma tradição organizada. Essa cultura faz parte da nossa vida desde a infância e, para o turismo, isso é essencial. As pessoas vêm de longe para conhecer a cultura pantaneira, enquanto muitas vezes temos crianças nas escolas que não sabem o que é essa cultura. É preciso trazer esse sentimento de pertencimento”, afirmou.
O cozinheiro e representante da culinária pantaneira, Julio Norberto Gomes, conhecido como Julio Pipoca, destacou que a identidade do Pantanal também está presente na gastronomia, nos costumes e na forma de receber, defendendo que esses saberes sejam mais conhecidos e valorizados. “As pessoas precisam conhecer e dar mais valor ao homem pantaneiro, que carrega uma raiz e uma tradição. Temos o arroz carreteiro, o macarrão frito, o feijão gordo, a costela de chão e tantas outras práticas que fazem parte da nossa história. Existem as comidas, a forma de receber as pessoas, as regras das comitivas e uma maneira própria de viver e conviver. A cultura pantaneira desperta interesse lá fora, mas precisamos que o próprio povo da terra também abrace e valorize essa tradição, para que esse conhecimento seja reconhecido não apenas dentro do Estado, mas também fora dele”, relatou.
Na mesma linha, o literato Adelino Alexandre Lopes ressaltou que ouvir quem vive no território é fundamental para fortalecer o reconhecimento da identidade pantaneira entre os próprios moradores. “Quando o Sebrae se propõe a escutar as pessoas que vivem aqui e entender o que elas sentem em relação ao Pantanal, já temos um ponto importante de fortalecimento da própria cultura local. É uma oportunidade para que as pessoas também se reconheçam como pantaneiras. Estamos no Portal do Pantanal, mas precisamos refletir sobre o que esse território representa para nós. Esse reconhecimento é importante porque permite que saibamos quem somos e que essa identidade seja levada para além daqui”, reiterou.
Para mais informações sobre as ações do Sebrae, entre em contato pela Central de Relacionamento, no número 0800 570 0800, ou acesse: ms.sebrae.com.br.

