Com o objetivo de valorizar a origem, fortalecer a marca e ampliar oportunidades de mercado aos produtores da tradicional Linguiça de Maracaju, o Sebrae/MS reuniu fabricantes e revendedores do produto sul-mato-grossense para a palestra “Muito Além do Selo: Indicação Geográfica, Branding e a Construção de Valor a Partir da Origem que Gera Valor”. Realizado em Maracaju nessa terça-feira (27), o encontro tratou sobre os benefícios da Indicação Geográfica (IG) para produtos tradicionais a partir da experiência da IG Bala de Banana de Antonina, no Paraná, que possui registro concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O encontro faz parte das ações do programa Cidade Empreendedora, desenvolvido no município pelo Sebrae/MS, com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e gestão municipal. A palestra foi realizada com o apoio da Prefeitura Municipal, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Sedema), da IG Balas de Antonina e da IG Linguiça de Maracaju.
Registrada pelo INPI em 2015, a Linguiça de Maracaju carrega uma tradição que combina saberes locais e características próprias. É produzida artesanalmente com cortes nobres de carne bovina picados na ponta da faca, especiarias e suco de laranja azeda, a iguaria representa um importante patrimônio gastronômico e econômico do município.
A partir da experiência da IG Bala de Banana de Antonina, no encontro foram destacados como a valorização da história, a adoção de boas práticas e a presença do selo na comunicação com o consumidor podem contribuir para consolidar a reputação de um produto. Para a analista da Regional Sul do Sebrae/MS, Vanessa Reis, a proposta é ampliar a compreensão dos produtores sobre o potencial da Indicação Geográfica para além da identificação de procedência.
“A iniciativa busca mostrar como a Indicação Geográfica pode se tornar uma ferramenta estratégica para fortalecer marcas, valorizar produtos regionais e ampliar a conexão entre a origem, a qualidade e a identidade de um território. A troca de experiências também foi importante para inspirar os participantes a utilizar o selo da IG Linguiça de Maracaju de forma mais efetiva, contribuindo para a valorização do produto e o desenvolvimento dos negócios e da comunidade local”, destaca.
Origem como diferencial competitivo
Segundo a palestrante Rafaela Takasaki Corrêa, o selo funciona como um elemento de confiança e reconhecimento da origem. “Usar o selo é, de certa forma, uma garantia para o consumidor, que pode identificar que aquele produto segue normas e regras de qualidade e que tem uma história por trás. Ele atesta a notoriedade do produto e tudo o que está envolvido na sua produção. Ainda é algo pouco conhecido pela população em geral, mas o caminho é fazer com que o selo esteja cada vez mais presente e seja associado a produtos de origem”, explica.
Além do reconhecimento formal, segundo ela, a construção de valor depende de estratégias de branding e comunicação integrada, capazes de aproximar o público à história do produto. Entre os caminhos debatidos estão: ampliar a visibilidade do selo, reforçar a identidade coletiva dos produtores, padronizar a comunicação e explorar novos canais de comercialização.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, Agadir Mossmann, destaca que o reconhecimento da Linguiça de Maracaju amplia as possibilidades de valorização do produto e reforça o compromisso do município com o setor.
“A credibilidade trazida pelo selo reafirma a qualidade do produto e pode atrair novos apreciadores. Por isso, estamos à disposição para manter as parcerias em prol do fortalecimento da Indicação Geográfica, ajudando a levar os benefícios desse reconhecimento aos produtores de uma iguaria reconhecida nacionalmente”, afirma.
Qualidade e fortalecimento da marca
A mobilização dos produtores, organizada pela Associação dos Produtores da Tradicional Linguiça de Maracaju (Aptralmar), com apoio técnico do Sebrae, é fundamental para consolidar o uso estratégico da IG. A continuidade das ações de divulgação, o fortalecimento da identidade coletiva e a aproximação com novos mercados estão entre os caminhos para ampliar a comercialização e fazer com que o reconhecimento da origem se traduza em valor para toda a cadeia produtiva.
A produtora Ana Neri Terra Souza é de uma família tradicional de Maracaju, que há mais de 60 anos atua na bovinocultura. Hoje ela fornece a carne utilizada na produção das linguiças, mas já avalia a possibilidade de também entrar no mercado da produção da iguaria. “Foi muito importante aprender mais sobre o selo de Identificação Geográfica, que valoriza o nome de nossa cidade e pode agregar ainda mais valor ao nosso produto. Sabemos o quanto a qualidade da carne influencia na produção da linguiça, e desejamos continuar contribuindo para levar o nome de nosso município para o Brasil todo”, afirmou.
O advogado Márcio José Lopes de Souza tem uma empresa familiar de produção de linguiça de Maracaju há aproximadamente 50 anos. Ele também participou da palestra e disse estar muito satisfeito com as possibilidades que foram apresentadas. “A gente não tinha noção dos benefícios e da importância de valorizar o nome comercial e a própria certidão de procedência. Além de segurança, este certificado também promove uma publicidade para o produto. Entendemos que alguns clientes querem conhecer a procedência, a história do nosso produto e pretendemos implantar este diferencial daqui pra frente, contando a história da Dona Nilda, da qual temos muito orgulho”, afirmou.
Outras informações e ações do Sebrae/MS podem ser obtidas pela Central de Relacionamento, no telefone 0800 570 0800, ou pelo site: ms.sebrae.com.br.

