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Encontro regional aproxima artesãos da Costa Leste de novos mercados e oportunidades de renda

Realizado em Bataguassu, evento reuniu produtores de diferentes municípios para troca de experiências, qualificação e conexões comerciais com compradores
Por Assessoria de Imprensa do Sebrae/MS
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Transformar identidade, técnica e criatividade em produtos capazes de conquistar novos consumidores é um dos desafios de quem vive do artesanato. Para aproximar quem produz de novas referências e, principalmente, de possibilidades concretas de comercialização, artesãos de diferentes municípios participaram do Encontro Regional de Artesanato da Costa Leste, realizado nesta quinta-feira (22) em Bataguassu. Promovida pela MS Florestal e pelo Sebrae/MS, em parceria com a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) e a Prefeitura de Bataguassu, a iniciativa reuniu artesãos, associações, grupos produtivos, parceiros e compradores dos municípios de Inocência, Três Lagoas, Aparecida do Taboado, Bataguassu, Brasilândia e Paranaíba.

A programação do evento articulou três frentes: compartilhamento de experiências, conhecimento voltado à profissionalização do setor e aproximação comercial. Ao longo do encontro, os participantes acompanharam um painel com representantes da cadeia artesanal, palestra magna sobre o mercado, e ainda uma sessão de negócios com compradores de diferentes regiões do estado.

Encontro foi promovido pela MS Florestal e pelo Sebrae/MS, em parceria com a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) e a Prefeitura de Bataguassu

Para a gerente da Regional Costa Leste do Sebrae/MS, Josi Signori, reunir produtores e instituições em um mesmo ambiente contribui para ampliar o alcance de uma produção que já carrega características próprias do território. “O artesanato da Costa Leste tem histórias, referências e matérias-primas que dizem muito sobre o nosso território. O desafio é fazer com que todo esse valor seja percebido também pelo mercado. Quando conectamos artesãos, associações, especialistas e compradores, ampliamos a possibilidade de transformar talento em renda e de criar relações comerciais que continuem depois do encontro. É esse movimento que queremos estimular, cada vez mais, na região”, destacou.

O vice-prefeito de Bataguassu, Cleyton Rodrigo da Silva, explica que a realização do encontro reforça o espaço conquistado pelo artesanato na dinâmica econômica e social do município. “Temos grupos que vêm construindo uma trajetória muito bonita e mostrando que essa atividade econômica é consistente. Receber profissionais de diferentes municípios permite valorizar quem já produz aqui, estimular novas parcerias e colocar Bataguassu e o distrito de Nova Porto XV em uma agenda regional de fortalecimento da economia criativa. O reflexo disso chega positivamente às famílias e à nossa economia local”, afirmou.

O encontro também representou mais uma etapa da atuação conjunta entre Sebrae/MS e MS Florestal junto a grupos produtivos da Costa Leste. Desde 2023, as instituições desenvolvem o projeto Costura Sustentável, que qualificou mulheres de Bataguassu para produzir bolsas e acessórios a partir do reaproveitamento de resíduos industriais, conectando sustentabilidade, design e geração de renda. O trabalho contribuiu para a criação da Associação Ipê Rosa e para a implantação da Casa da Costura Sustentável, espaço destinado à produção, exposição e comercialização das peças.

Mulheres da Associação Ipê Rosa participam de encontro promovido pelo Sebrae/MS e MS Florestal, que fortalece a atuação conjunta com grupos produtivos da Costa Leste.

Em 2026, a parceria avançou para uma nova frente junto aos artesãos de Nova Porto XV, distrito de Bataguassu. O trabalho começou com um diagnóstico do grupo e contempla acompanhamento para desenvolvimento e valorização dos produtos, com participação do designer Renato Imbroisi.

Para o gerente de Relações Institucionais da MS Florestal, Bruno Madalena, apoiar esses grupos significa atuar em diferentes etapas até que o produto encontre condições de efetivamente alcançar o consumidor. “Estamos falando de geração de renda, autonomia e desenvolvimento das comunidades. O encontro amplia esse trabalho porque cria conexões entre quem produz e quem compra, além de permitir que os artesãos conheçam novas referências e enxerguem possibilidades para crescer de maneira estruturada. Estamos muito satisfeitos com os resultados até aqui e vamos continuar apoiando esse projeto institucionalmente”, ressaltou.

Experiências que ajudam a fortalecer o setor

Iniciando a programação, o painel “Mãos que conectam, arte que gera oportunidades” reuniu diferentes perspectivas sobre a atividade artesanal. Participaram Elaine Cristina Guarnieri Martins, presidente da Associação dos Artesãos da Nova Porto XV; Katienka Klain, diretora de Artesanato, Design e Moda da FCMS; Samara Bertoche, artesã ceramista de Três Lagoas; e Ana Nely Castello Branco Sanches, presidente da Associação de Economia Criativa Ipê Rosa, de Bataguassu.

Painel “Mãos que conectam, arte que gera oportunidades” reuniu diferentes perspectivas sobre a atividade artesanal

Com mediação da gerente da Regional Costa Leste do Sebrae/MS, Josi Signori, a conversa mostrou como produção independente, organização coletiva, design e políticas públicas podem atuar de forma complementar para ampliar a presença dos produtos artesanais em novos espaços.

Representando o governo de MS, Katienka Klain trouxe o trabalho voltado para promover os artesãos locais. “O artesanato tem um valor que vai além da peça em si, porque carrega histórias, técnicas e referências do lugar onde é produzido. Nosso desafio é ajudar o artesão a reconhecer esse diferencial e, ao mesmo tempo, desenvolver condições para chegar a novos públicos e espaços de venda. Quando esse trabalho encontra mercado, também ampliamos as possibilidades de geração de renda para quem vive dessa atividade”, afirmou.

Outro destaque foi a palestra magna de Marco Aurélio Pulcherio, o Marco 500, profissional com cerca de três décadas de atuação no artesanato e no design brasileiro. Entre os assuntos abordados estiveram tendências, comercialização, precificação e estratégias para ampliar o valor percebido das peças. O conteúdo dialogou com desafios que surgem justamente depois que o produto está pronto. Dominar uma técnica e produzir com qualidade nem sempre significa saber calcular preços, comunicar diferenciais, encontrar compradores ou posicionar o trabalho diante de novos públicos.

Com quase cinco décadas dedicadas ao artesanato, Fabiana Batista, de Nova Porto XV, utiliza técnicas que vão da argila e madeira ao macramê e à pintura, além de uma linha completa de saboaria artesanal. “Participar desses eventos é muito importante porque conseguimos mostrar o nosso trabalho, divulgar o que fazemos e também gerar vendas. O artesanato cresceu bastante na região e, com esse tipo de apoio, a gente consegue continuar avançando e levando nossos produtos para outros lugares”, afirmou.

De Três Lagoas, Eduardo Nakamura levou ao encontro peças que traduzem de maneira particular uma das principais referências econômicas da Costa Leste. Artesão desde 2002, ele utiliza chapas de celulose – material abundante da região – como matéria-prima e desenvolveu, ao longo dos anos, técnicas próprias para transformá-las em objetos artísticos. “Comecei na tecelagem manual, inspirado pela minha mãe, e depois surgiu a oportunidade de desenvolver peças usando a própria chapa de celulose. No início foi um grande desafio entender como trabalhar esse material, porque ele parece simples, mas exige técnica e ferramentas específicas. Ao longo dos anos fui testando, aprendendo e criando novas formas de usar a celulose, inclusive combinando com outras técnicas, como o origami”, contou.

Depois de algum tempo afastado de encontros do setor, Eduardo encontrou em Bataguassu uma oportunidade para retomar contatos e enxergar possibilidades que dificilmente apareceriam trabalhando de forma isolada. “É nesses encontros que surgem oportunidades que muitas vezes a gente não enxerga sozinho. Você conversa com outros artesãos, conhece pessoas ligadas às instituições, troca ideias e percebe possibilidades de projetos e parcerias que podem nascer dali. Esse contato faz muita diferença”, destacou.

No evento, artesãos tiveram acesso a discussões sobre o mercado, e também puderam expor seus produtos e participar de sessão de negócios com lojistas e compradores de outras locais

No período dedicado à sessão de negócios, a programação avançou da qualificação para a aproximação direta com o mercado. Os artesãos puderam apresentar seus produtos a lojistas e compradores de outras localidades, conhecer demandas e estabelecer contatos com potencial para gerar futuras relações comerciais. A dinâmica também possibilitou aos participantes observar como fatores como preço, capacidade produtiva, acabamento, regularidade de fornecimento e apresentação interferem nas negociações.

Mais informações sobre as ações do Sebrae/MS estão disponíveis na Central de Relacionamento, pelo telefone 0800 570 0800 ou no site www.ms.sebrae.com.br.