Garantir que todos os estudantes tenham acesso à escola, participem das atividades e encontrem condições adequadas para aprender exige mais do que o cumprimento da legislação. Também depende da organização das redes de ensino, da formação dos profissionais e da articulação entre diferentes áreas que acompanham crianças e adolescentes. Com esse desafio em pauta, representantes de municípios da Costa Leste de Mato Grosso do Sul se reuniram, nessa terça-feira (6), em Três Lagoas, para discutir caminhos para a implementação da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva.
O “Seminário de Educação Inclusiva – Marco Legal da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva: Diálogos, Desafios e Caminhos para sua Implementação nos Municípios da Região Costa Leste” foi promovido pelo Sebrae/MS e pela Associação Integra Costa Leste, por meio do Eixo Educação e Aprendizagem. Realizado na sede regional do Sebrae/MS, o encontro reuniu aproximadamente 70 participantes, entre gestores públicos, professores, profissionais da Educação, Saúde e Assistência Social, além de representantes de universidades e instituições parceiras.
Participaram representantes de Aparecida do Taboado, Brasilândia, Bataguassu, Inocência, Paranaíba, Paraíso das Águas, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Três Lagoas, além de Ilha Solteira, no interior de São Paulo. A ação integra o programa Cidade Empreendedora, executado pelo Sebrae/MS em parceria com o Governo do Estado e as gestões municipais.
Antes do início dos debates, alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) participaram de uma apresentação cultural com fanfarra e dança. O momento emocionou os presentes e colocou no centro do encontro justamente as pessoas para as quais políticas inclusivas precisam produzir resultados concretos.
A programação foi estruturada para combinar conhecimento técnico, compartilhamento de experiências e construção coletiva. Pela manhã, especialistas discutiram o marco legal da política e os desafios relacionados à sua implementação. No período da tarde, práticas selecionadas pela Comissão Científica mostraram como diferentes redes da região vêm trabalhando a educação especial inclusiva em suas realidades.
Para a gerente da Regional Costa Leste do Sebrae/MS, Josi Signori, aproximar os municípios e diferentes setores permite que desafios comuns sejam enfrentados de maneira mais coordenada. “Quando reunimos Educação, Saúde, Assistência Social, universidades, gestores e profissionais que vivenciam essa realidade todos os dias, conseguimos enxergar o estudante de forma muito mais ampla. Cada município tem suas particularidades, mas muitos desafios se repetem. Criar esse espaço regional permite compartilhar soluções, aprender com aquilo que já funciona e construir caminhos que não dependam de esforços isolados. O Cidade Empreendedora também parte dessa compreensão de que desenvolver um território significa fortalecer as políticas públicas e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, destacou.
Da legislação para a sala de aula
A mesa temática realizada pela manhã contou com a participação da professora doutora Bárbara Amaral Martins, do campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); da professora mestra Cleumar Aparecida Pereira Prudente, da CRE12/SE; e da professora doutora Mirian Vieira Batista Dias, da Secretaria Municipal de Educação de Três Lagoas. A mediação foi conduzida pela professora mestra Ângela Maria de Souza Brito, secretária municipal de Educação de Três Lagoas.

Para Ângela, o principal desafio está justamente em transformar as diretrizes da política em práticas capazes de alcançar cada estudante no cotidiano escolar. “O grande desafio está na sala de aula. Precisamos compreender que a educação especial inclusiva não é uma escolha, mas um direito dessas crianças. Cada estudante tem seu tempo e sua forma de aprender, e cabe a nós preparar as equipes e buscar as melhores práticas para que todos tenham condições reais de aprendizagem”, afirmou.
A secretária ressaltou ainda que a consolidação dessa política exigirá continuidade na formação e na articulação entre os profissionais. “É uma construção que requer mais encontros, mais estudos e acompanhamento permanente para que consigamos transformar aquilo que está previsto nos documentos em ações concretas. No fim, todo esse esforço precisa chegar a quem mais importa, que são os alunos”, completou.
No período da tarde, o painel “Práticas que inspiram” apresentou experiências da educação básica selecionadas previamente pela Comissão Científica. A proposta foi mostrar iniciativas já desenvolvidas nos territórios e utilizá-las como ponto de partida para discutir avanços, dificuldades e possibilidades de atuação.
A troca permitiu que os municípios conhecessem estratégias adotadas por outras redes e identificassem problemas semelhantes, abrindo espaço para que soluções construídas em uma localidade possam servir de referência para outras.
Secretária Municipal de Educação de Brasilândia, Maria Inês Anselmo Costa acompanhou as discussões ao lado de representantes de sua equipe e destacou que falar sobre inclusão significa tratar diretamente das condições oferecidas às pessoas atendidas pelas redes públicas. “A educação especial vem de uma trajetória de muitos anos, marcada por mudanças e avanços na legislação, e nós precisamos acompanhar esse processo com responsabilidade. Em Brasilândia temos buscado estruturar esse atendimento e avançar de maneira séria, olhando para as necessidades das nossas crianças. Participar de um encontro regional nos permite aprender com outras experiências e contribuir com aquilo que já estamos construindo no município”, afirmou.
Além da troca de experiências, o seminário buscou consolidar uma agenda regional capaz de manter os municípios conectados após o encerramento da programação.
Educadora e representante da Associação Integra Costa Leste, Terezinha Bazé destacou que essa articulação parte de uma trajetória já existente de cooperação entre as cidades da região. “A Costa Leste já tem uma experiência de trabalhar em rede e essa é uma grande vantagem. Nenhum município precisa inventar a roda sozinho. O que queremos é contribuir para que a região avance cada vez mais e construa uma política de educação inclusiva que realmente aconteça nas escolas, nas instituições e em cada sala de aula”, ressaltou.
Durante a roda de diálogo “O que nossos territórios nos dizem?”, os participantes foram convidados a identificar coletivamente desafios, necessidades, possibilidades e compromissos. As contribuições foram utilizadas para orientar os encaminhamentos definidos ao final da programação.

Carta transforma debate em compromisso regional
Um dos principais resultados do seminário foi a construção da “Carta da Região Costa Leste pela Educação Especial Inclusiva”, elaborada a partir das discussões realizadas durante o encontro.
O documento busca registrar compromissos assumidos coletivamente e servir como referência para a continuidade da mobilização entre municípios, instituições e profissionais envolvidos com a temática.
Para Terezinha Bazé, a Carta ajudará a transformar as discussões do seminário em um compromisso para organização das redes e prática educacional. “Estamos construindo uma carta de compromisso para materializar essa política nos municípios, nas escolas, nas instituições e, principalmente, em cada sala de aula. Queremos deixar registrado aquilo que a região assume coletivamente e dar continuidade a esse trabalho de cooperação”, explicou.
A expectativa é que a articulação permaneça ativa, permitindo novos momentos de estudo, compartilhamento de experiências e construção de estratégias voltadas à implementação das políticas de educação especial inclusiva.
Outras informações podem ser obtidas na Central de Relacionamento, pelo telefone 0800 570 0800, ou no site www.ms.sebrae.com.br.

