A linha de crédito do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), na modalidade Empresarial, apresenta uma nova forma de taxação para os empresários. A partir de maio, será possível optar por juros pré-fixados, tanto nas novas operações a serem contratadas quanto fazer a migração para a modalidade nas já firmadas. Anteriormente, apenas a fórmula do cálculo pós-fixado estava disponível. A medida foi comunicada recentemente após resolução do Banco Central.
-
Com vantagens competitivas em relação ao mercado, o FCO é uma importante ferramenta na democratização do acesso ao crédito, ofertando baixa taxa de juros nas operações, que varia de acordo com o porte de cada cliente. Outro benefício são prazos e carências diferenciadas. Além disso, as regras do fundo determinam que 80% dos recursos precisam ser destinados a projetos de micro e pequenas empresas.
-
Para as entidades que representam o setor produtivo de Mato Grosso do Sul, a nova forma de taxação veio para beneficiar a classe empresarial. Na época da confirmação da medida pelo Banco Central, o presidente do Sistema Fiems e do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae/MS (CDE), Sérgio Longen, destacou que esse resultado só foi possível graças à soma de esforços dos atores públicos e privados.
-
“Construímos essa alteração em parceria com o governo do Estado, com a bancada federal no Senado e com as federações. Esse trabalho teve início em outubro de 2021 e de lá para cá inúmeras reuniões foram feitas no Senado Federal, visando trazer o FCO empresarial para patamares aceitáveis. Após a disparada dos juros, os financiamentos já contratados pós-fixados tiveram reajustes praticamente impagáveis”, afirmou Longen.
O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, também vice-presidente do CDE do Sebrae/MS, disse que a medida atendeu aos anseios do setor produtivo. “Foi uma batalha do Mato Grosso do Sul para alterar esta taxa de juros para o empresariado. Trata-se de uma vitória diante de uma reivindicação antiga do setor produtivo”, destacou Verruck, que também preside o Conselho Estadual de Investimentos Financiáveis do FCO (CEIF/FCO).
“A linha do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro Oeste ainda é a melhor opção para os empresários que precisam de recursos tanto para realização de investimentos, quanto para Capital de Giro”, analisa o diretor superintendente do Sebrae/MS, Claudio Mendonça.
-
Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), no ano passado, foram contratados R$ 1,7 bilhão em recursos do fundo no Estado. Já para 2022, a expectativa da entidade é que o montante atinja os R$ 2,3 bilhões.
-
Gerido pela Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), o FCO é um instrumento de desenvolvimento regional utilizado em Mato Grosso do Sul desde 1989. Há dois programas que permitem o acesso à linhas de crédito de acordo com o perfil do empreendedor: FCO Rural e o FCO Empresarial. O principal público-alvo do fundo é o tomador de menor porte – aquele que fatura até R$ 16 milhões por ano.
-
Todas as regras, descrição das vantagens, distribuição de recursos e outras informações sobre os financiamentos para 2022 do FCO estão disponíveis no portal da Semagro e podem ser acessadas aqui.
-
Orientações do Sebrae para interessados no FCO
-
Conforme a resolução do Banco Central, a nova fórmula do cálculo de juros passa a vigorar em maio deste ano. O consultor de Finanças do Sebrae/MS, Hudson Garcia, orienta os empresários a aguardarem. “A melhor opção é realmente ele aguardar maio para avaliar a migração. No entanto, o empresário poderá agora atualizar o seu cadastro na instituição para ganhar tempo, caso lá em maio ele resolva realizar a migração para a modalidade de juros pré-fixada”.
-
Para os empresários interessados em migrar ou obter o financiamento pela modalidade de juros pré-fixada, é importante analisar se a longo prazo, a medida trará economia para o bolso. “A vantagem que vejo é o horizonte de planejamento, mesmo considerando uma taxa pré-fixada de 1% ao mês, o empresário consegue realizar o seu planejamento financeiro para os próximos 12 anos, que é o período máximo que o FCO permite para quitar o financiamento”, explicou Garcia.
-
Com o aumento da Selic – a taxa básica de juros da economia –, as opções de empréstimos ou financiamento para empresas também tiveram suas taxas de juros ampliadas. Avaliando a última informação repassada pelo Banco Central, o consultor Hudson Garcia cita que apenas três instituições financeiras no país trabalham com uma taxa inferior a 12% ao ano. Assim, o FCO é uma alternativa para os empresários sul-mato-grossenses que precisam de recursos para alavancar seus negócios.
-
“De qualquer maneira, para acessar o FCO, é imprescindível ter certeza do uso do recurso, pois afinal de contas é uma dívida que o empresário está adquirindo com o objetivo de implantar o seu negócio ou alavancar os números do que já existe. Ou seja, neste momento de alta competitividade no mercado, é indispensável ter um Plano de Negócios ou um Estudo de Viabilidade Econômico-Financeira para dar um norte à decisão e garantir segurança para a instituição financeira que irá avaliar o risco desta operação”, finaliza Garcia.
-
O Sebrae/MS orienta os interessados na tomada de decisão quanto a empréstimos, por meio da consultoria gratuita “CAPAG – Capacidade de Pagamento”. Outras soluções como Plano de Negócios, Ferramentas de Gestão Financeira e Estudos de Viabilidade também estão disponíveis para que os empresários possam realizar o planejamento da empresa. Mais informações aqui ou pelo telefone 0800 570 0800.
