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Da fazenda à prateleira: o ciclo do queijo artesanal em Mato Grosso do Sul

No Dia do Queijo Artesanal, celebrado em 16 de maio, o Sebrae/MS apresenta histórias de queijarias sul-mato-grossenses
Por Beatriz Barreto
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Preferência alimentar de muitos sul-mato-grossenses, o queijo artesanal percorre uma cadeia produtiva que envolve diversas etapas até chegar ao consumidor. Para valorizar esse processo e destacar a importância da produção artesanal, o Sebrae/MS apresenta histórias de duas queijarias sul-mato-grossenses que estão alinhadas à esse ciclo virtuoso da economia, que vai desde fazenda à prateleira, e abrange a profissionalização do pequeno produtor, a regularização sanitária e o reconhecimento da qualidade do produto.

As histórias provém de duas queijarias artesanais, nos município de Jaraguari e Rio Brilhante, ambas integrantes do programa Cidade Empreendedora, executado pelo Sebrae/MS, em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), e gestões municipais. A iniciativa tem a proposta de promover o desenvolvimento econômico sustentável dos municípios, por meio da eficiência na gestão municipal, melhoria do ambiente de negócios e fomento ao empreendedorismo.

Nesse cenário, o fortalecimento da agricultura familiar também está entre as frentes contempladas pelo programa. Segundo o analista-técnico do Sebrae/MS, Estevao de Souza, grande parte da produção artesanal de queijos em Mato Grosso do Sul tem origem justamente na agricultura familiar, iniciando-se com a produção leiteira desenvolvida nas próprias propriedades rurais pelos criadores de gado leiteiro. Assim, conforme explica, o objetivo da produtividade pode variar, indo desde a produção apenas para consumo próprio até a comercialização com a venda dos alimentos lácteos. É o caso do queijo, que é um derivado lácteo obtido pela coagulação das proteínas do leite e separação do soro.

“A produção de queijo artesanal é uma atividade com grande potencial de agregação de valor à produção leiteira. Quando o produtor comercializa apenas o leite in natura para um laticínio, normalmente recebe um valor menor pelo produto. Já ao transformar esse insumo em queijo, ele passa a oferecer um produto com maior valor agregado, aumentando as possibilidades de rentabilidade da propriedade rural”, enfatiza o analista.

José Alceu Cabral é sócio-proprietário do Sítio Paraíso localizado em Jaraguari (MS) e relata como nasceu a Queijaria Dazu. “Tivemos a ideia de produzir queijo porque no período que vendíamos apenas leite, teve muita queda no preço e ficou inviável de trabalhar, então, nós começamos a produzir queijo, que é um negócio mais lucrativo e que agregava mais valor aos produtos”.

No sítio, a função de Alceu é retirar o leite, tratar das vacas, cuidar do pasto e da propriedade de uma maneira geral, mas que para tudo isso, conta com a parceria de sua esposa, Zuleide, empresária e produtora de queijo. Juntos, buscaram a regularização sanitária, pois desejavam vender os queijos atendendo à legislação e com melhores técnicas de higienização. Esse foi o pontapé para a criação da queijaria Dazu que, ao longo do tempo, recebeu as certificações adequadas.

A função de Alceu é retirar o leite, tratar das vacas, cuidar do pasto e da propriedade. Créditos imagem: Queijaria Dazú

Logo depois, ainda motivados pelo anseio de melhorias, procuraram apoio do Sebrae/MS para capacitações, consultorias em gestão financeira, incentivo para visibilidade mercantil e participação em programas de melhoramento genético do gado que produz leite para a fabricação do queijo artesanal.

“Eu considero de extrema importância valorizar todas as etapas da nossa cadeia produtiva. Todo mundo faz queijo, mas nós fazemos de forma diferente. Nosso queijo é pequeno, embalado com água, com todo o processo de zelo e higienização. Isso é o que transformou o nosso negócio, o que nos deu renda e manteve a gente no campo. Se não fosse dessa forma, nós já teríamos abandonado a produção”, reconhece Alceu.

A esposa de Alceu, Zuleide, empresária e produtora de queijo. Créditos imagem: Queijaria Dazú

Já são mais de 12 anos de melhoramento genético das vacas no sítio com intuito de aprimorar a qualidade leiteira com uma menor quantidade de rebanho selecionada. Atualmente, a média de litros de leite por dia da raça Jersey varia entre 27 a 30, contando inclusive com um tipo de leite que não provoca reação alérgica, nem para intolerantes à lactose.

“Buscamos fazer algo totalmente inovador. Hoje, a nossa propriedade é a primeira a produzir em baixo carbono no Brasil e a segunda no mundo. É uma coisa que a gente tem muito orgulho. Nosso gado é certificado como gado livre de brucelose e tuberculose. Nós vamos da produção até a comercialização. Então, todo esse processo diz a origem do nosso queijo e fala sobre nosso trabalho”, celebra Alceu.

O queijo da Queijaria Dazú é pequeno, embalado com água, com todo o processo de zelo e higienização. Crédito imagem: Queijaria Dazú

Para comprar os queijos, os clientes vão presencialmente à queijaria Dazu. “E não só isso, nós temos parceria com a prefeitura e faculdades. Participamos de muitas feiras, no município, no estado e fora do estado. Também queremos futuramente adquirir uma propriedade mais próxima de Campo Grande, em Rochedinho, para aumentar a mão de obra e a fabricação”, menciona o sócio-proprietário.

Na Chácara Cabeceira Limpa são produzidos queijos do tipo frescal, maturados e iogurtes, que são comercializados por todo o município. Créditos imagem: Chácara Cabeceira Limpa

Exclusividade do preparo 

Em Rio Brilhante, a Chácara Cabeceira Limpa tem ganhado destaque com a sua produção artesanal de queijo maturado massa crua. No ano passado, essa categoria conquistou o primeiro lugar no 1º Concurso de Queijos do Estado, realizado no evento organizado pelo Sebrae/MS, Ruraltur MS.

“Somos uma família de produtores. Eu e meu marido Diego iniciamos a queijaria em 2023 e temos produzido todo o nosso leite aqui. Cuidamos da temperatura, da escolha de nossas matrizes, do gado leiteiro, da ordenhadeira mecânica, porque as pessoas buscam produtos com muita qualidade, higiene e principalmente produtos frescos, sem excessos de conservantes”, acentua Evelin Pael, engenheira agrônoma e sócio-proprietária da Chácara Cabeceira Limpa, onde o queijo artesanal é feito.

A Chácara Cabeceira Limpa busca sempre produzir queijos de boa qualidade, produzido dentro dos padrões exigidos. Crédito imagem: Chácara Cabeceira Limpa
Para Evelin Pael, a fabricação do queijo é um sonho que garante renda e ajuda a manter a família unida. Créditos imagem: Chácara Cabeceira Limpa

Evelin detalha que na sua chácara são produzidos queijos do tipo frescal, maturados e iogurtes, que são comercializados por todo o município, atendendo padarias, produtores de pão de queijo e merendas escolares. O que começou pequeno, agora, é uma empresa em expansão que, inclusive, contribui com a geração de empregos local. Além da pecuária, hoje lá são executadas ovinocultura e piscicultura.

Para ela, a fabricação do queijo é um sonho que garante renda e ajuda a manter a família unida e focada em um propósito comum: produzir um alimento feito com amor para um maior número de pessoas. Por isso, a chácara tem participado de diversos eventos, como exposições no município e cidades próximas.

Ciclo virtuoso da economia

De acordo com o analista-técnico do Sebrae/MS, uma das formas de valorizar o alimento artesanal é entender como funciona o seu preparo, pois isso está diretamente relacionado à tradição cultural do território e a história de cada pequeno negócio e pequeno produtor vinculado. Para ele, esses processos da cadeia produtiva do queijo desencadeiam um ciclo virtuoso da economia.

“Um queijo de boa qualidade, produzido dentro dos padrões exigidos, conquista o reconhecimento do consumidor e amplia as oportunidades de mercado. Com o aumento da receita, o produtor também amplia seu poder de consumo e investimento, movimentando outros setores da economia local. Dessa forma, cria-se um ciclo virtuoso, no qual produção, renda, consumo e desenvolvimento econômico passam a se fortalecer mutuamente”, acrescenta Estevão.

Em Mato Grosso do Sul, visando impulsionar esse ciclo de produção, o Sebrae/MS auxilia os produtores rurais que desejam empreender e iniciar a produção de queijos para comercialização. São capacitações, consultorias, orientações técnicas e regularização da produção junto aos órgãos de inspeção, que auxiliam na adequação necessária para obtenção dos selos de comercialização.

“Entre os serviços ofertados está o projeto Rota Rural, que disponibiliza uma unidade móvel equipada e preparada para atender comunidades rurais com cursos de produção de queijos e derivados do leite. Também oferecemos consultorias especializadas voltadas ao aumento da produtividade e da competitividade das propriedades rurais, incluindo manejo nutricional para melhoria da produção leiteira, como a Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF), que auxilia no melhoramento genético do rebanho, e análises da qualidade do leite”, finaliza o analista.

Mais informações sobre as ações promovidas pelo Sebrae/MS para o fortalecimento das agroindústrias podem ser obtidas por meio do site ms.sebrae.com.br ou pelo número 0800 570 0800.