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Reforma Tributária exige preparação e mobiliza representantes de pequenos negócios em Três Lagoas

Palestra promovida pelo Sebrae/MS e Sicoob Unique Br reuniu 65 participantes para discutir mudanças que podem afetar tributação, custos e competitividade das empresas
Por Assessoria de Imprensa do Sebrae/MS
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Entender como a Reforma Tributária poderá afetar preços, custos, fluxo de caixa e até as relações comerciais deixou de ser uma preocupação distante e já começa a entrar nas decisões dos pequenos negócios. Em Três Lagoas, 65 participantes se reuniram nessa terça-feira (15), para conhecer as mudanças e avaliar os caminhos de preparação das empresas para o novo sistema tributário brasileiro. Realizada na sede da Regional Costa Leste do Sebrae/MS, a palestra “O impacto da Reforma Tributária nos Pequenos Negócios” encerrou uma série de quatro encontros gratuitos promovidos pela instituição em parceria com o Sicoob Unique Br. Com atenção especial aos empreendedores da área da saúde, a programação foi conduzida pelo especialista em Direito Tributário, Sebastião Rolon.

Para a analista técnica do Sebrae/MS, Caroline Canassa, ampliar o acesso a esse conhecimento ganha ainda mais importância diante de escolhas que poderão repercutir nos próximos anos. “Nosso papel é fazer com que o pequeno empresário não fique sozinho diante de uma mudança dessa dimensão. A legislação é complexa, mas o empreendedor precisa compreender aquilo que efetivamente interfere na empresa dele para conseguir conversar com seu contador, avaliar cenários e fazer escolhas conscientes. Quanto antes esse empresário buscar informação e olhar para o próprio negócio, mais condições terá de atravessar essa transição com segurança e continuar competitivo”, destacou.

Situações do cotidiano empresarial ajudaram a traduzir a complexidade do tema. Formação de preços, emissão de notas fiscais, aproveitamento de créditos, contratação de fornecedores e efeitos sobre o fluxo de caixa estiveram entre os assuntos discutidos. Casos envolvendo empresas prestadoras de serviços também abriram espaço para questionamentos sobre como o novo modelo poderá interferir nas relações comerciais e na competitividade dos negócios.

Decisões começaram antes das mudanças

Estabelecida pela Emenda Constitucional 132/2023, a Reforma Tributária prevê uma transição gradual até 2033. Entre as principais alterações está a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI por um novo modelo que inclui a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e o Imposto Seletivo.

Para os pequenos negócios, acompanhar esse calendário é apenas parte do desafio. Microempresas e empresas de pequeno porte também precisam compreender como as novas regras dialogam com o Simples Nacional e avaliar as alternativas disponíveis de acordo com as características de suas operações. “O mais importante é que essa decisão seja tomada de forma racional, olhando para o caso concreto da empresa. Não existe uma resposta única dizendo que o híbrido será melhor para todos ou que permanecer no Simples tradicional será sempre a escolha mais adequada. É preciso analisar a operação, entender quem são os tomadores e prestadores envolvidos e avaliar os reflexos de cada alternativa. A ideia é justamente mostrar situações diferentes para que o empresário tenha elementos objetivos e não tome uma decisão que possa prejudicar o próprio negócio”, explicou o palestrante, Sebastião Rolon.

O especialista também apresentou uma ferramenta desenvolvida pelo Sistema Sebrae para auxiliar nessa avaliação. “O Sebrae desenvolveu um simulador justamente para ajudar nessa escolha entre o Simples tradicional e o sistema híbrido. Essa é uma das grandes dúvidas que chegam dos empresários e a ferramenta permite trazer mais elementos para essa análise. O Sebrae tem sido um parceiro muito importante nesse processo, porque oferece um ponto de apoio para quem precisa compreender as mudanças e se preparar para tomar essa decisão”, acrescentou.

Além das questões tributárias, o debate evidenciou reflexos que podem alcançar outras áreas da gestão. Finanças, formação de preços, relações comerciais e operação passam a exigir um olhar integrado à medida que o novo sistema avança.

Especialista em Direito Tributário, Sebastião Rolon, falou sobre principais mudanças da Reforma Tributária e seu impacto nos pequenos negócios

Informação para decidir com mais segurança

O encontro em Três Lagoas fechou a série iniciada em agosto pelo Sebrae/MS e pelo Sicoob Unique Br. A programação também passou por Campo Grande, Corumbá e Aquidauana, levando a discussão a empresários de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

Segundo o gerente regional do Sicoob Unique Br, Phillipe Diório, os possíveis efeitos da Reforma também colocam as instituições financeiras diante de um novo cenário de relacionamento com os clientes. “A Reforma Tributária vai impactar diretamente o dia a dia das empresas e isso também passa pelo fluxo de caixa. Para nós, enquanto cooperativa de crédito, é importante compreender esse movimento e nos preparar internamente para as novas demandas que poderão surgir dos nossos cooperados. Antecipar essa discussão nos permite levar informação agora e construir uma atuação muito mais consultiva junto aos empresários lá na frente”, afirmou.

Programação agradou os participantes

A contadora Renata Duarte participou da palestra acompanhada de clientes e levou para o encontro uma realidade que tem se tornado frequente na relação com os empresários. “Os empresários já chegam querendo uma resposta pronta: perguntam qual será a alíquota, quanto vão pagar e qual escolha devem fazer. Só que ainda existem pontos que precisam ser definidos e nós não podemos antecipar um resultado que ainda não conhecemos. Precisamos analisar cada situação e acompanhar como tudo será implementado. Por isso fiz questão de convidar empresários atendidos pela nossa contabilidade para estarem aqui. Quando eles também compreendem o que está acontecendo, conseguimos ter uma conversa muito mais clara e tomar as decisões com mais consciência”, explicou.

Para o empresário Matheus Gonçalves, participar do encontro foi uma maneira de separar as informações concretas das inúmeras previsões que circulam sobre os efeitos da Reforma. “A gente escuta muito burburinho: que vai ser difícil, que vai ser ruim, que muita gente pode ter prejuízo. Mas não adianta sofrer antes da hora. Precisamos entender o que podemos fazer e quais opções nós temos. Vim justamente para buscar essas respostas e enxergar uma luz diante de tanta informação que está circulando. É hora de parar com o burburinho, conhecer os fatos e trabalhar em cima deles para se preparar para o que vem pela frente”, afirmou.

Éber do Nascimento Teixeira é empresário e contador, e acompanha tanto as discussões técnicas quanto as dificuldades enfrentadas pelos clientes para entender o que efetivamente poderá mudar em seus negócios. “Para nós, da contabilidade, o desafio é transformar um assunto cheio de detalhes e bastante complexo em algo que o cliente consiga compreender e aplicar no dia a dia. Por isso, encontros como este ajudam a trazer clareza para que nós também possamos ser facilitadores desse conhecimento e orientar melhor os empresários durante essa transição”, destacou.

O trabalho de orientação sobre a Reforma Tributária prossegue com as ações do Sebrae/MS. A instituição mantém conteúdos, ferramentas e atendimentos para auxiliar os pequenos negócios a acompanhar as novas regras e avaliar seus possíveis efeitos de acordo com a realidade de cada empresa.

Mais informações sobre as ações do Sebrae/MS podem ser obtidas pela Central de Relacionamento, no telefone 0800 570 0800, ou pelo site www.ms.sebrae.com.br.