O setor de Comércios e Serviços é responsável por grande parte do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul: 58,7%, conforme dados do IBGE de 2018, compilados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul (Semagro).
A pandemia do novo Coronavírus trouxe impactos ao setor de Comércio e Serviços, porém, segmentos de pet shops e beleza, por exemplo, vêm contribuindo para a recuperação da economia. É o que explica o presidente do Sistema Fecomércio-MS, Edison Araújo, que também é membro do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae/MS.
Edison Araújo é o entrevistado de maio do quadro Entrevista do Mês, da Agência Sebrae de Notícias – que mensalmente, discute um tema de relevância para as micro e pequenas empresas de MS. Abaixo, ele comenta sobre as ações capazes de transformar o comércio local, preparando-o para os novos desafios de consumo e comportamento.
Dentro do comércio, quais são os ramos que mais se destacam em MS?
Podemos dividir essa pergunta em dois momentos: um voltado para a geração de emprego e renda e outro para o aumento da demanda nesse período de pandemia. No primeiro momento, vimos um aumento de empregos nos Supermercados, Restaurantes e Similares, Modas – como roupas, calçados e acessórios –, e Peças de veículos automotores. Em outro momento, por conta da pandemia, vimos um crescimento dos setores de Supermercados, Alimentação pronta com Restaurantes, Artigos e Decoração, Eletrônicos, Material de Construção e Construção Civil, Serviços de Conserto, Móveis e Eletrodomésticos, Entretenimento em casa, Telemedicina e Exercícios físicos em casa, Produtos eróticos, Marketing Digital e Tecnologia da Informação.
Assim como outros setores econômicos, a pandemia impactou o comércio. Em MS, o IPF e o Sebrae divulgam de tempos em tempos pesquisa local, que mede os impactos da pandemia no comércio do estado. Qual a importância dessa iniciativa? Esses dados favorecem a tomada de decisão do empreendedor?
Entendemos que a tomada de decisão do empreendedor para ampliar – garantir o seu negócio é fundamental o conhecimento de mercado, o perfil do consumidor, índice de venda, dentre outras informações. Fornecer informações está dentre os principais objetivos de atuação da Fecomércio de Mato Grosso do Sul. Vale destacar ainda que as parcerias se tornaram fundamentais em meio a esse cenário no Estado, de modo a contribuir para a amenização de impactos advindos da pandemia. O fortalecimento de ações conjuntas enfatizou a empatia e a necessidade de pensar no outro.
Desde 2020, parceria entre Sebrae, Senac e Sesi garantiu a oferta de consultorias em biossegurança nos pequenos negócios, como forma de continuar com a atividade e manter empregos. Neste sentido, quais são as ações do Sistema Fecomércio para apoiar o comércio de MS na pandemia?
O Programa Superação é uma iniciativa do Senac e da Federação do Comércio. É um programa de apoio às empresas para a retomada econômica no momento de pandemia. O programa é um conjunto importante de soluções para apoiar as empresas e o processo de adaptação ao que se tem chamado de “novo normal”, transformando desafios em oportunidades. No escopo temos, consultorias gratuitas, em temas de relevância para o momento, que são Finanças, Marketing Digital, Comércio Eletrônico e a Biossegurança. Consultorias e Cursos On-line para as empresas do segmento de Comércio e Serviços. Temos também o Programa Município Seguro, que é uma parceria do Senac, Sebrae e Sesi, que já está em andamento em Bonito e São Gabriel do Oeste. No circuito de palestras, webinares e cursos on-line gratuitos, nos segmentos de Varejo, Gastronomia, Tecnologia e Saúde, foram alcançadas em 2020 com o programa, 617 empresas aqui no nosso Estado.
Em Campo Grande, o comércio passou por transformações estruturais com a revitalização do centro comercial. O que pode ser feito para transformar o comércio local e torná-lo mais atrativo para o consumidor?
Considerando a continuidade de tendências que se destacaram durante a pandemia do Coronavírus, podemos salientar algumas experiências. As comemorações, reuniões familiares com amigos, continuarão, mas com muito cuidado. Conceitos que o campo-grandense “não tinha nada para fazer na cidade” caíram. Campo Grande é um berço de atrativos para as famílias, turistas, grupos, e tudo isso intensifica a cultura, a economia e o comércio local. Tanto que estamos com uma parceria com a prefeitura da Capital, com o projeto Reviva Campo Grande, que tem o objetivo de transformar o centro comercial, não apenas em um lugar de compras, mas também um ambiente de contemplação.
Qual a sua perspectiva para o comércio em 2021?
Apesar dos desafios, as projeções para 2021 não são tão ruins. A CNC prevê um crescimento do varejo brasileiro superior a 2% em 2021. Há ainda a possibilidade de manter tendências que foram intensificadas durante a pandemia, como das compras pela internet, Marketing Digital, compras em lojas físicas aliadas a experiência e passeio, entregas em domicílio, busca pela qualificação, priorização da saúde, viagens de curta distância, e a contemplação da natureza. A maior perspectiva e o maior desafio, serão a busca pelo equilíbrio entre a saúde e a economia, pois, não deixamos de nos preocupar com a inflação, câmbio, déficit de público, fechamento de empresas e o desemprego.
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Natural de Araçatuba (SP), Edison Ferreira de Araújo é empresário, com Ensino Superior Incompleto em Ciências Econômicas. Atualmente, é presidente do Sistema Fecomércio-MS e conselheiro do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae/MS.
