Da pequena empresa ao grande negócio, do cidadão comum ao poder público: existe uma necessidade latente por soluções inovadoras, que facilitem o dia a dia de todos. Na outra ponta, temos startups com ideias, capital humano criativo e novas tecnologias, mas, que enfrentam dificuldades formais para fazer com que os projetos ganhem a dimensão real. Como podemos diminuir a distância entre estes mundos?
Vivenciamos neste ano um grande divisor de águas, que se trata da aprovação do novo Marco Legal das Startups e do Empreendedorismo Inovador. A legislação, sancionada pelo governo federal em junho, veio para regular o funcionamento destas atividades, permitindo que startups recebam investimentos de pessoas físicas ou jurídicas e estimulando o surgimento de mais empresas inovadoras.
Antes do marco, a estrutura de registro mercantil e relacionamento público-privado não tinha um escopo para que pudesse permitir muitas dessas startups se consolidarem como negócio permanente. Tínhamos um mundo tradicional, e o das startups, que tentava identificar as necessidades deste segmento mais tradicional para projetar novas soluções inovadoras. E agora, até mesmo o poder público poderá se beneficiar, podendo fazer encomendas às startups para as suas necessidades – desde que respeitados os limites da nova legislação.
O marco regulatório cria para o Estado de Mato Grosso do Sul um desdobramento importante, dado que já temos um ecossistema de inovação em expansão. Temos o trabalho pioneiro do Sebrae, que lançou há cinco anos o Living Lab – laboratório de inovação com sede em Campo Grande. Ainda como ação do Sebrae, existe a proposta de criação de uma startup na área da Bioeconomia, que integrará o Pró Pantanal, programa que visa a recuperação econômica do Bioma Pantanal.
Hoje, temos outros agentes e ambientes de inovação, a exemplo da Startup do Sistema Fiems, o Laboratório de Inovação e Tecnologia Jurídica da Seccional Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (LiTech OAB/MS), além do trabalho feito pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect-MS) e pelas universidades públicas e privadas.
Precisamos criar este ambiente institucional, no âmbito do Estado, e que parte para várias instituições e para a criação de ambientes físicos. Além disso, cabe a todos os atores envolvidos a responsabilidade de buscar este marco regulatório e dinamizar esse ecossistema de inovação no Estado de Mato Grosso do Sul e em todas as áreas, já que a inovação vem de qualquer lugar.
Temos uma legislação favorável, um ecossistema de inovação crescente, parcerias entre a iniciativa privada e universidades para trazer novas ideias. Com estes elementos, conseguimos regular esse ecossistema e realmente reposicionar Mato Grosso do Sul nessa capacidade inovadora. E, o mundo precisa de inovação. Nós precisamos de inovação, e ela precisa ter uma absorção rápida. Se, antes, as ideias ficavam “atravancadas”, agora temos um caminho totalmente aberto.
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Jaime Verruck – presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae/MS e secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar.
