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Na capital, empreendedores apostam em delivery para vender na Páscoa

Com a crise provocada pela pandemia do coronavírus, pequenos negócios estão fazendo adequações para driblar queda no consumo
Por Natália Moraes
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A pandemia relacionada ao novo coronavírus afetou os planos dos pequenos negócios para a Páscoa neste ano, feriado comemorado no próximo domingo (12).  Apesar das projeções de queda na intenção de consumo, empreendedores campo-grandenses têm buscado alternativas para assegurar as vendas e se aproximar do público.

 "Um doce é uma lembrança especial”, afirma empresária da Rosa Carolina DoceriaÉ o caso da microempreendedora individual Bruna Bornia, proprietária da Rosa Carolina Doceria, que produz de forma caseira e familiar doces diversos. Como trabalha apenas por encomenda, a primeira medida adotada foi adaptar o ritmo de produção à nova realidade. Depois, ela reduziu o prazo para entregas: Antes, seriam necessárias 48 horas para enviar o pedido, hoje são 24.

“Ampliamos o delivery e passamos a ter mais opções à pronta entrega para qualquer dia da semana. Também diminuímos o prazo de encomenda, e estamos investindo no relacionamento com o cliente, enviando mais fotos de opções pelo celular e conversando bastante. Os nossos clientes estão dando muita força”, afirma Bruna Bornia.

Além do tradicional ovo de chocolate, outros produtos têm saído, como brownie de pote e pão de mel. A empresária comenta que, devido à situação de isolamento social, as pessoas têm buscado produtos para presentear à distância. “No final das contas o que importa é que o doce chegue, mesmo com tudo isso que está acontecendo, um docinho adoça um dia, é uma lembrança especial”, acrescenta.

A empresária Andressa Sandri, proprietária da Confeitaria Sweet, trabalha com confeitaria, café e padaria artesanal em um espaço aberto. Apesar das adequações para a segurança dos clientes, afirma que o foco agora é o delivery. O estabelecimento, tocado junto ao sócio Reni Garcia, tinha se preparado para a Páscoa com uma compra grande. Porém, diante da pandemia, os planos foram alterados.

“Fizemos um estoque bem farto para a Páscoa, a quarentena nos pegou de surpresa e nos reestruturamos rapidamente com o delivery. Estamos comercializando os produtos no balcão, organizadamente, sem permitir que se façam filas. As funcionárias estão usando equipamentos de proteção e disponibilizamos álcool em gel. Mas nosso foco agora é o delivery, colocamos o catálogo no Instagram e os pedidos têm chegado de forma online”, comenta.

 Menos tradicional que ovos de páscoa, 'colomba pascal' tem tido boa aceitação na Confeitaria SweetAlém disso, ela investiu em produtos diversificados, que têm atendido ao perfil dos clientes do estabelecimento. O catálogo conta com ovos de colher e de casca recheada, e até a colomba pascal, que segundo a empresária, “está tendo bastante aceitação”. “Colocamos também variedade de produtos com chocolates 70% e com chocolate belga diet, e investimos em opções de brindes a bom custo-benefício, e em uma linha de presentes, que são cerâmicas pintadas a mão”, complementa a empresária.

Segundo a analista do Sebrae/MS, Andrea Barrera, apesar da pandemia, existem medidas e oportunidades que podem ser adotadas para minimizar os efeitos nas vendas. Por exemplo, agora é o momento para investir na tecnologia e no relacionamento com os clientes.

“É a hora de usar a tecnologia a favor como forma de minimizar a queda nas vendas. As empresas precisam fortalecer sua presença digital, utilizando Facebook, Instagram e WhatsApp como vitrine e lançamento de campanhas. Existem soluções tecnológicas inclusive nos meios de pagamento”, disse.

Neste período, os empreendedores também devem reforçar o planejamento e a gestão financeira do negócio. “É importante rever a produção para adequar à nova demanda e não ter desperdício”, finaliza Andrea Barrera.

Intenção de consumo

Pesquisa divulgada no mês passado pelo Sebrae/MS e o Instituto de Pesquisa da Fecomércio/MS aponta uma queda de 25% na intenção de consumo neste ano na Páscoa em Mato Grosso do Sul. Apesar da redução, o estudo indica pontos positivos: 46% das pessoas comprariam ovo de chocolate, independentemente do aumento do preço – índice que é 10% maior em 2020, em comparação a 2019.

O levantamento ouviu 1.692 pessoas entre os dias 02 e 10 de março, e depois mais 150 foram entrevistadas no dia 17, nas cidades de Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas.

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