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‘O papel da sociedade é valorizar o pequeno negócio’, afirma Claudio Mendonça

Em entrevista, diretor-superintendente do Sebrae/MS fala sobre desenvolvimento regional, como promovê-lo e as ações da instituição
Por Natália Moraes
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Diretor-superintendente do Sebrae/MS, Claudio MendonçaA pandemia de Covid-19 atingiu a economia de grandes cidades e chegou até os confins do Brasil. Neste contexto, ações voltadas ao desenvolvimento regional ganharam um peso maior, principalmente porque estimulam a retomada econômica.

Um dos responsáveis por gerar emprego são as micro e pequenas empresas, consideradas maioria dos estabelecimentos empresariais no país. Na visão do diretor-superintendente do Sebrae/MS, Claudio Mendonça, para o desenvolvimento regional acontecer, é preciso incluir os pequenos negócios. Abaixo, ele comenta mais sobre o assunto e destaca o papel dos diferentes atores neste processo: Do prefeito ao dono do mercado do bairro.

O bate-papo com Claudio Mendonça inaugura a série ‘Entrevista do Mês’ da Agência de Notícias do Sebrae/MS, que mensalmente trará uma personalidade para discutir assuntos de relevância para as micro e pequenas empresas. Confira:

O que podemos entender por desenvolvimento regional?

Como o próprio nome diz, o desenvolvimento regional ocorre em uma região, não apenas em um município. Por exemplo, quando uma grande empresa investe em uma região, ela acaba impactando os municípios do entorno. O desafio de grandes investimentos que acontecem nos municípios é a participação do pequeno negócio. Ou seja, devemos nos perguntar como podemos incluir este pequeno negócio na agenda do desenvolvimento.

Quem são os atores que podemos contar no desenvolvimento de uma região?

Os prefeitos têm uma função muito importante. Geralmente, o grande comprador do município é a prefeitura. Então, quando trabalhamos o fornecimento do pequeno negócio para prefeituras ou grandes empresas, nós fazemos com que o dinheiro gire na localidade, ficando na região gerando emprego e passando de mão em mão. E, cada vez que ele passa, adquire um valor maior e gera todo um crescimento no município.

Acredito que o desenvolvimento regional deve ser ‘puxado’ pelas lideranças locais, tanto pelo prefeito, como pela Associação Comercial, pelo Sindicato Rural, pelos líderes constituídos e pelos líderes que são da região. Por exemplo, os municípios que têm um supermercado forte, de onde o dono está comprando a verdura? Será que ele não consegue comprar de um agricultor local? Esta lógica do dinheiro ficar girando na localidade é fundamental.

Esses atores também podem contar com parceiros. Um deles é o Sebrae, que tem o Cidade Empreendedora, um programa que visa estimular o desenvolvimento regional. Como isso acontece?

Quando pensamos em um trabalho coordenado, esse ‘remar todos para um mesmo lado’, no caso, para o desenvolvimento econômico do município, precisamos deixar a política partidária de lado e entrar com a política de desenvolvimento, com políticas que todos possam participar. O programa Cidade Empreendedora visa isso, e trabalha com todos estes atores.

Trabalhamos com a prefeitura para facilitar a compra pública, com o produtor rural que irá fornecer o produto, com a empresa de ferragem que irá vender uma pequena reforma na escola, com a nutricionista da escola que irá indicar produtos que são produzidos na região. Toda esta coordenação é necessária.

O Cidade Empreendedora trabalha desde o desenvolvimento dessas lideranças para entender esse processo, assim como na desburocratização da prefeitura, para que ela possa priorizar as compras dos pequenos negócios. Isso facilita aos proprietários de pequenas empresas, tanto rural quanto urbanas, estar preparados, com preço, documentação e qualidade para participar do fornecimento, e contribuir ainda para grandes empresas ou comunidade local.

O Cidade Empreendedora também tem este trabalho de formação?

A gente forma a consciência da comunidade. Como? Investindo no aluno. Quando capacitamos uma professora para ela abordar o Empreendedorismo na sala de sala, o aluno sairá preparado para chegar em casa e provocar o pai ou a mãe. Ou, ele mesmo irá investir e acreditar que não precisa ser um empregado no futuro, ele poderá ver uma oportunidade e gerar um negócio. Assim, essa roda vai girando. Por isso, percebemos quando um município ‘vai para frente’ e o outro não. É porque tem todo um tecido, um capital social e humano que foi criado naquela região.

O que nós enquanto sociedade podemos fazer para contribuir com o desenvolvimento regional?

A sociedade tem um papel fundamental, porque um produto só se realiza quando alguém compra. Então, quando compramos da pequena empresa que está próxima às nossas casas, em primeiro lugar, estamos ganhando na valorização do imóvel, depois do bairro, até chegar na cidade. Assim, teremos uma escola melhor, segurança, um asfalto melhor, porque valorizamos o que é produzido em nossa região. Precisamos pensar no todo, na valorização e no futuro. Aqui temos outras oportunidades, de enfrentar novas barreiras, novas fronteiras de desenvolvimento. O papel da sociedade é valorizar o pequeno negócio e fazer o fomento à economia local.

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Claudio Mendonça é economista, advogado, empresário e produtor rural. Possui MBA em Gestão Empresarial pela FGV e atualmente, é diretor-superintendente do Sebrae/MS e presidente da ABASE (Associação Brasileira dos Sebrae Estaduais).

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