Dentro do segmento turismo, um dos nichos de atendimento é o LGBT+, destinados a pessoas que se consideram lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e demais nominações. Este setor em plena ascensão cresce anualmente 11% no Brasil, enquanto o turismo de modo geral sobe 3,5% ao ano.

Tendo em vista este cenário, na última semana o Sebrae/MS realizou em Bonito pela primeira vez o workshop de turismo LGBT+ no estado, com o apoio da Prefeitura Municipal e da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur).
Quem ministrou a capacitação foi o Diretor do Fórum de Turismo LGBT do Brasil e Diretor Comercial da Revista ViaG, Alex Bernardes. Para ele, as empresas devem estar preparadas para atender aos clientes, levando em consideração questões sociais.

“A experiência do turista é fator decisivo para o cliente LGBT, que lida com discriminação e homofobia. Os casos vão desde uma simples piadinha, a recusas de reserva, da opção de cama de casal, e as vezes chegam ao extremo, com casos de agressões verbais e físicas. Tudo isso acontece por despreparo, ignorância e falta de empatia”, aponta o palestrante.
De acordo com relatório produzido pelo Sebrae sobre pesquisa da Associação Brasileira de Turismo, em parceria com a revista ViaG, este público, de forma geral, é considerado mais exigente quando busca por produtos e serviços. Apesar disto, frequentemente é mais generoso que outros viajantes, gastando 30% mais.
O estudo aponta ainda que os turistas LGBT+ realizam aproximadamente quatro viagens ao ano e 45% destes vão ao exterior anualmente, sendo responsáveis por 10% da movimentação do setor de turismo mundial. “Um número bem considerável quando se imagina uma atividade bilionária como o turismo”, afirma Alexandre.
Dicas de como empreender
O turista LGBT+ não procura só por experiências direcionadas. Ele também busca por viagens românticas, de aventura, sol e mar, cultural, familiar, com amigos, viagens esportivas ou corporativas, estando inserido dentro de todos esses contextos.
As empresas que desejam beneficiarem-se com este mercado precisam implementar uma série de boas práticas. O Sebrae lista, no relatório divulgado em 2018, algumas dicas para atrair e atender o público como: Fazer parcerias entre empresas de segmentos diversos que tenham interesse; Ter atendimento de qualidade, com colaboradores envolvidos e capacitados e; Gerar identificação, criando campanhas e estratégias específicas.
Uma das participantes do workshop de Bonito, Adriana Merjann, que é diretora da agência Bonito Way Turismo e Eventos, leva aos seus funcionários capacitações sobre o assunto. “É importante atualizar nossa equipe de tempos em tempos, porque entram funcionários novos. É preciso estarem alinhados com os valores da empresa”.

Bonito já é uma cidade “gay-friendly”, de acordo com o analista técnico do Sebrae/MS, Télcio Barboza. Esta nominação se dá aqueles que apoiam e promovem práticas de valorização e respeito à comunidade LGBT+. “Contamos com mais de 100 inscritos para o workshop e isso representa que o trade turístico da cidade está interessado em investir neste mercado, gerando volume de negócios e melhorar a experiência do cliente”, finaliza.
Empresários que desejam conhecer mais sobre o assunto podem procurar orientação do Sebrae, por meio do Portal que possui artigos e capacitações virtuais, ou também pelo telefone 0800 570 0800.
