Apesar do momento desafiador que o Agronegócio atravessa, existem oportunidades e ações para os pequenos produtores rurais em Mato Grosso do Sul. Para comentar sobre as iniciativas existentes hoje, o quadro Entrevista do Mês, da Agência Sebrae de Notícias, traz em março o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni. Abaixo, ele comenta sobre o trabalho da entidade e também cita o apoio do Sebrae/MS no fomento ao empreendedorismo no campo.
Quais são hoje as principais oportunidades no agronegócio em MS, principalmente para os pequenos produtores?
O Sistema Famasul incentiva o empreendedorismo rural porque o leque de oportunidades no setor é grande. De olho nisso, a Assistência Técnica e Gerencial do Senar MS, que acompanha o produtor de perto, observa que, nas mais diversas cadeias produtivas, existem grande potencial não somente para os grandes produtores, como também para pequenos e médios. Temos, de um lado, um mercado interno e externo com demandas cada vez maiores, e do outro, um Mato Grosso do Sul com perfil produtivo, área e conhecimento técnico para expansão.
Quando falamos de agronegócio, MS desponta como um dos principais exportadores no país. O pequeno produtor rural participa deste cenário?
Temos um projeto que foca exatamente no fomento à exportação, e contempla também pequenos produtores. É o Agro.BR, desenvolvido em parceria com a CNA e APEX. Em dois anos de projeto, percebemos que as empresas rurais de Mato Grosso do Sul possuem excelentes produtos e identidades geográficas interessantes, que trazem um grande potencial para o estado. A exemplo disso, recentemente, o projeto Agro.BR levou para Dubai duas empresas rurais de MS em missão técnica, nos Emirados Árabes Unidos. Uma delas fechou 200 toneladas de fécula de mandioca para o Líbano, a partir dessa missão.
O Sistema Famasul e o Sebrae/MS possuem uma parceria histórica, com várias ações como o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Senar/MS. Quais foram os principais ganhos dessa ação?
Não há como falar da ATeG sem mencionar a produtividade e rentabilidade dos produtores assistidos. É notório que, nos dois anos de atendimento por meio do Senar/MS, o produtor sobe de patamar produtivo, bem como aperfeiçoa sua gestão, desenvolvendo um olhar econômico focado em redução de custos e aumento de margem líquida. São 14 culturas assistidas pelo nosso corpo técnico, com meta de ampliação a partir de 2022. Em todas elas, os produtores relatam a mesma evolução, o que nos é muito gratificante.
Outra ação é via programa Cidade Empreendedora, que tem capacitações para produtores rurais. De que forma isso contribui para a melhoria da realidade local?
O pequeno produtor nem sempre tem acesso e condições financeiras para obter uma assessoria de ponta. O Senar/MS e o Sebrae/MS entram justamente para suprir essa demanda. Levando conhecimento e aprendizagem prática, esperamos contribuir no aumento de produtividade e rentabilidade. E o que observamos na prática é que, de fato, nossa missão é cumprida.
Quais as perspectivas da Famasul para o agronegócio?
Estamos em um momento desafiador para o agronegócio: aumento de custos, imprevistos climáticos, incertezas geopolíticas. São questões que influenciam diretamente, não só no nosso estado, mas no setor de maneira geral. Importante ressaltar que o Sistema Famasul, que neste ano completa 45 anos, está ao lado desses produtores, com a perspectiva de que, para o agronegócio seguir evoluindo e crescendo, será fundamental fortalecer a aplicação dos conhecimentos técnicos em campo e, sobretudo, aprimorar os fluxos e processos fora da porteira, agregando valor aos produtos e abrindo mercados.
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Marcelo Bertoni é produtor rural em MS desde 1989. Foi um dos fundadores do MNP Jovem – Movimento Nacional dos Produtores, em 1994 e 1995, e diretor-secretário da ACRIVAN (Associação dos Criadores do Vale do Aquidaban e Nabileque) entre 2008 e 2010. Exerceu o cargo de diretor-presidente no Sindicato Rural de Bonito, entre 2011 e 2016. Atualmente, é presidente do Sistema Famasul.
