A articulação entre poder público, instituições de ensino, iniciativa privada e sociedade civil é um dos caminhos para fomentar a inovação e ampliar as oportunidades de desenvolvimento nos municípios. Em Mato Grosso do Sul, esse trabalho é realizado por meio de 13 Ecossistemas Locais de Inovação, que reúnem diferentes atores para estimular a cultura empreendedora, conectar conhecimentos e criar condições para o surgimento de novas soluções e negócios.
Durante o i9-67, evento realizado pelo Sebrae/MS em parceria com o Governo do Estado, por meio da Semadesc e Fundect, representantes desses grupos e de instituições parceiras compartilharam experiências e boas práticas para fortalecer a governança e ampliar a integração entre os territórios. Um desses momentos foi o painel “Ecossistemas Locais de Inovação: a governança necessária para o desenvolvimento”, promovido nessa quinta-feira (29).
Para o presidente Fundect e conselheiro do Sebrae/MS, Cristiano Carvalho, a integração entre instituições de ensino e pesquisa, empreendedores e poder público é essencial para fortalecer os ecossistemas. Segundo ele, o Governo do Estado contribui com ações e recursos voltados à construção de uma governança colaborativa. “Temos possibilitado recursos direcionados para os ecossistemas, principalmente para gerar uma governança saudável e, então, integrar todas as instituições de ensino e de pesquisa junto com os empreendedores que estão iniciando seus trabalhos. E o Estado é o grande fomentador dessa política toda”, pontuou.

De acordo com o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação Semadesc, Ricardo Senna, o fomento aos ecossistemas integra o trabalho desenvolvido para impulsionar Mato Grosso do Sul por meio da inovação. “Os ecossistemas de inovação são um modelo de governança em que a gente conecta e trabalha conjuntamente com a academia, o setor público e a iniciativa privada, desde os pequenos negócios até as grandes empresas. Eles nos ajudam a entender as realidades locais, fazer a convergência com as estratégias fundamentais de desenvolvimento do Governo do Estado e criar conexões entre esses atores”, explicou Senna.
O diretor de Operações do Sebrae/MS, Tito Estanqueiro, expôs que a estruturação dos ecossistemas locais de inovação envolve o mapeamento das iniciativas existentes nos municípios, a mobilização de atores locais e a construção de estratégias conjuntas para fortalecer a inovação e ampliar as oportunidades para os negócios. “O Sebrae integra os grupos e desempenha um papel articulador. Fomos aos municípios, mapeamos o que já havia de inovação e sensibilizamos os atores locais sobre a importância desse trabalho. A partir desse levantamento, construímos, junto com as instituições parceiras, ações para fomentar os ecossistemas e trazer as empresas desses territórios para a inovação e para novos investimentos”, esclareceu Tito.
Transformação nos municípios
Experiências locais mostram como a colaboração gera oportunidades. Durante o i9-67, representantes de Ecossistemas de Inovação de Mato Grosso do Sul apresentaram iniciativas implementadas que tem fomentado a criação de soluções inovadoras nos municípios. Atualmente, o Estado conta com 13 grupos estruturados, distribuídos em Campo Grande, Chapadão do Sul, Coxim, Corumbá e Ladário, Aquidauana e Anastácio, Jardim e Guia Lopes da Laguna, Dourados, Maracaju, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
Representante do Ecossistema de Inovação de Chapadão do Sul, Maxuel Andrade Soares, mostrou o impacto da atuação conjunta entre diferentes instituições. Na cidade, o grupo conta com a Agência Municipal de Inovação de Negócios (AGIPEC) que apoia empreendedores na implementação de modelos de negócio e análise de mercado. A estrutura disponibilizada, junto com o apoio fornecido pelas outras instituições que fazem parte do ecossistema, tem possibilitado o fomento ao empreendedorismo.

“A universidade traz conhecimentos acadêmicos, pesquisas, projetos e ações de extensão. O mercado, por meio dos empreendedores que já atuam há mais tempo, contribui com o conhecimento para validar novas soluções. A Agência de Inovação ajuda a estruturar o modelo de negócio, e as capacitações do Sebrae e de outras instituições ampliam o preparo desse empreendedor. Cada ator traz sua contribuição. Juntos, ajudamos as empresas a crescerem e se desenvolverem mais”, contou Maxuel.
Já em Coxim, o Ecossistema Local tem promovido iniciativas para aproximar a comunidade do ambiente de inovação. As ações incluem atividades de ideação, eventos voltados a startups e maratonas de inovação realizados em parceria com instituições de ensino, o que aproxima a academia do mercado. “Quando as empresas começaram a descobrir que as universidades também oferecem inovação, essa interação começou a ser mais fluida. O ecossistema tem propiciado essa ligação entre esses atores e o surgimento de novos negócios e novas tecnologias”, relatou Gedson Faria, representante do Ecossistema no município.

Inovação no Centro-Oeste
A programação do i9-67 também abriu espaço para o compartilhamento de boas práticas entre representantes de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Durante o painel Eli Summit Centro-Oeste, realizado no Living Lab – Laboratório de Inovação e Prototipagem do Sebrae/MS, nesta sexta-feira (30), representantes das Unidades Federativas do Sebrae nos respectivos Estados compartilharam experiências e discutiram práticas de articulação e possibilidades de atuação conjunta entre os Ecossistemas Locais de Inovação.

Segundo a mediadora do painel e representante do Sebrae Nacional, Lara Franco, a integração entre os ecossistemas de inovação do Centro-Oeste pode ampliar oportunidades para os empreendedores e fortalecer o desenvolvimento regional. Segundo ela, a troca de experiências permite aproveitar conhecimentos e soluções já desenvolvidos em diferentes territórios, respeitando as características e potencialidades de cada estado.
“A integração permite transformar as capacidades locais em capacidades regionais. Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e o Distrito Federal têm realidades e níveis de maturidade diferentes, mas é possível conectá-los e ampliar o fluxo de conhecimento, soluções, empreendedorismo e oportunidades. Assim, evitamos que os ecossistemas trabalhem de forma isolada e fazemos com que a competência de um território também gere oportunidades para os outros. O ganho deixa de ser apenas local e passa a ser regional”, afirmou.

Mais informações sobre as ações do Sebrae/MS e parceiros de fomento à inovação podem ser obtidas pela Central de Relacionamento, no número 0800 570 0800, ou pelo site ms.sebrae.com.br.

