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Painel no Inspira Ecoturismo destaca experiências transformadoras em etnoturismo

Encontro reuniu especialistas, lideranças indígenas e quilombolas para discutir experiências inspiradoras e fortalecer o turismo de base comunitária no estado
Por Assessoria de Imprensa do Sebrae/MS
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Com o objetivo de fortalecer a valorização cultural, a identidade e o potencial econômico das comunidades tradicionais, o Sebrae/MS realizou, nesta terça-feira (20), o painel “Raízes que Transformam: Experiências Inspiradoras em Etnoturismo”, durante a programação do Inspira Ecoturismo, evento que acontece em Bonito (MS) entre os dias 20 e 23 de maio. O encontro reuniu especialistas, representantes de comunidades indígenas e quilombolas, além de profissionais que atuam no turismo sustentável.

Dados apresentados durante o evento mostram que o Brasil reúne cerca de 391 etnias indígenas e 7.666 comunidades quilombolas em diferentes regiões do país, evidenciando a diversidade cultural e histórica presente nesses territórios. Durante os debates, foi destacado o papel do turismo como ferramenta para fortalecer a autonomia das comunidades, preservar tradições, costumes, conhecimentos ancestrais e modos de vida, além de impulsionar a economia local de maneira sustentável.

Durante o painel, os participantes compartilharam experiências práticas e histórias de transformação por meio do etnoturismo. Entre os convidados estiveram Telcio Barbosa, analista-técnico do Sebrae/MS e mediador do debate; Karyna Makuxi, comunicadora Kuawê; Nitynawê Alves Pataxó, da Reserva Pataxó de Jaqueira, na Bahia; além de representantes de comunidades tradicionais de Mato Grosso do Sul.

Para o analista-técnico do Sebrae/MS, Télcio Barboza, existe uma demanda crescente no mercado por experiências autênticas, em que o turismo de base comunitária tem a capacidade de atender essa demanda. “O etnoturismo tem um potencial muito grande de gerar renda e oportunidades para as comunidades tradicionais, valorizando seus saberes, cultura e modos de vida. O desafio é fazer isso de forma organizada e respeitosa, sem descaracterizar a identidade dessas comunidades, porque justamente essa autenticidade é o grande diferencial competitivo desse segmento”, destacou o analista-técnico.

Télcio Barboza, analista técnico Sebrae e turismólogo, fala sobre as oportunidades do etnoturismo na região

Representantes de comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul também participaram do painel promovido pelo Sebrae/MS em Bonito e destacaram a importância da troca de experiências para fortalecer iniciativas de turismo de base comunitária nos territórios tradicionais.

“Participar desse painel foi como viver uma experiência transformadora e perceber que é possível fazer o turismo dar certo dentro das nossas comunidades. Estamos levando um aprendizado muito grande para a Aldeia Cabeceira, principalmente porque ainda estamos no começo desse processo e muitas pessoas ainda não acreditam no potencial do etnoturismo. Ver outras experiências acontecendo e ouvir esses relatos fortalecem a nossa vontade de continuar. Com o apoio do Sebrae, temos aprendido, desenvolvido novas ideias e entendido que esse trabalho precisa ser construído em parceria. Agora, queremos compartilhar todo esse conhecimento com a nossa comunidade”, afirmou Nalva Atikum, da Aldeia Cabeceira, em Nioaque (MS).

Além da valorização cultural, o turismo de base comunitária também vem sendo visto pelas lideranças indígenas como uma oportunidade concreta de geração de renda e fortalecimento econômico dentro das aldeias.

“Hoje, o turismo ainda é um investimento para nós, porque estamos construindo esse caminho pensando nos resultados lá na frente. Acreditamos muito no potencial do etnoturismo como fonte de renda para as comunidades indígenas. Com os cursos de empreendedorismo e o apoio do Sebrae, entendemos que primeiro é preciso investir, organizar e envolver a comunidade. Por isso, nós, coordenadores das aldeias de Nioaque, estamos promovendo feiras dentro das comunidades para gerar renda, fortalecer os pequenos produtores e despertar nas pessoas o interesse em participar desse projeto de etnoturismo”, destacou Jonimar da Silva Marques, coordenador da Aldeia Taboquinha, em Nioaque (MS).

Uma das palestrantes do painel “Raízes que Transformam: Experiências inspiradoras em Etnoturismo”, a representante da comunidade indígena Kauwê, de Roraima, compartilhou como o turismo de base comunitária se tornou uma ferramenta de resgate cultural, fortalecimento da identidade indígena e transformação social dentro do território.

“Na nossa comunidade, o turismo veio para resgatar aquilo que estava se perdendo. Nós já não vivíamos mais a nossa cultura da forma como antes, e foi por meio do turismo que reaprendemos a falar nossa língua materna, a contar nossas histórias e a valorizar os saberes indígenas. Hoje, nossas crianças crescem mais conectadas à cultura e à identidade do nosso povo. Estar aqui em Bonito tem um significado muito especial para mim, porque há dez anos eu visitei a cidade, me encantei com o turismo daqui e levei esse sonho para a minha comunidade. Meu pai sempre acreditou que era possível transformar nosso território em um roteiro turístico. Hoje, voltar para compartilhar nossa experiência mostra que valeu a pena acreditar, sonhar e persistir”, afirmou Karynna Makuxi, da comunidade Kauwê (RR).

Nitynawã Alves Pataxó, da Reserva Pataxó da Jaqueira, na Bahia, compartilhou experiências sobre como o turismo de base comunitária tem fortalecido a cultura, a preservação ambiental e a geração de oportunidades dentro dos territórios tradicionais. “O turismo trouxe um impacto muito positivo para o nosso povo, principalmente no fortalecimento cultural e ambiental. A etnovivência ajudou a reafirmar nossa identidade, valorizar os saberes do povo Pataxó e reconhecer o protagonismo das mulheres dentro da comunidade. Além disso, contribuiu para a preservação da nossa mata e para o fortalecimento das aldeias da região. Participar do Inspira Ecoturismo, aqui em Bonito, e poder compartilhar essa trajetória com outras comunidades é motivo de muita emoção e gratidão. É a oportunidade de mostrar que um trabalho construído com resistência, cultura e união pode transformar vidas”.

Para Nitynawã Alves Pataxó, o turismo de base comunitária tem fortalecido a cultura, a preservação ambiental e a geração de oportunidades

Além da troca de experiências, o evento também teve como objetivo incentivar a criação de uma agenda de inspiração e conexões para o fortalecimento do etnoturismo em Mato Grosso do Sul, estimulando novos projetos e iniciativas voltadas ao turismo sustentável e comunitário. Esse segmento do turismo representa uma oportunidade de desenvolvimento que alia valorização cultural, inclusão social e geração de renda, contribuindo para o fortalecimento das comunidades e para a diversificação do turismo no estado.

Sobre o Inspira Ecoturismo

Voltado para fomentar o empreendedorismo, a inovação e a geração de negócios entre gestores, empreendedores e instituições ligadas às atividades turísticas em destinos com vocação para o turismo de natureza, o Inspira Ecoturismo é uma iniciativa do Sebrae/MS, por meio do Polo Sebrae de Ecoturismo e conta com a parceria do Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Turismo de MS (Fundtur-MS), da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), do Conselho Municipal de Turismo de Bonito (Comtur) e da Prefeitura Municipal de Bonito.

Em 2026, o evento é realizado entre os dias 20 e 23 de maio, em Bonito, com uma programação composta por painéis, palestras e salas temáticas voltados à troca de conhecimento e ao compartilhamento de boas práticas nas áreas de sustentabilidade, segurança, políticas públicas e oportunidades para o segmento. O evento também conta com uma mostra sustentável de produtos de empreendedores locais, uma sessão de negócios e experiências em atrativos turísticos da região. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site inspira.ms.sebrae.com.br.