ASN MS Atualização
Compartilhe

Economia criativa ganha passarela, mercado e novas conexões no Festival de Inverno de Bonito

Empreendedores de moda e artesanato de diferentes regiões de MS encontraram no festival uma vitrine para apresentar produtos, gerar negócios e ampliar oportunidades
Por Assessoria de Imprensa do Sebrae/MS
ASN MS Atualização
Compartilhe

Entre peças que carregam as cores da terra, saberes indígenas transformados em cerâmica e criações autorais que ganharam a passarela, a economia criativa foi protagonista no Festival de Inverno de Bonito (FIB) 2026. Durante os cinco dias de programação, empreendedores de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul encontraram no evento uma vitrine para apresentar trabalhos, comercializar produtos, trocar experiências e criar conexões com o mercado.

Realizado pelo Governo do Estado, em parceria com a Prefeitura de Bonito, o festival contou com ações do Sebrae/MS voltadas à moda e ao artesanato. Um espaço de comercialização reuniu 30 expositores, enquanto 12 marcas participaram de um desfile de moda autoral na Praça da Liberdade. A programação também marcou o encerramento da Jornada Criativa, com a entrega de 26 certificados aos participantes da capacitação realizada em preparação para o festival.

Para a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, a presença dos pequenos negócios em um dos principais eventos culturais do Estado reforça uma relação que já faz parte da vocação de Bonito: a união entre cultura e turismo. “Bonito é um ícone da cultura associada ao turismo, e acreditamos que os pequenos negócios encontram nessa relação um mercado importante para gerar boas vendas. Temos comunidades indígenas, artesanato e diferentes expressões da economia criativa reunidas em uma grande celebração da cultura sul-mato-grossense”, destacou.

Diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, durante fala na abertura do desfile da moda autoral, no Festival de Inverno de Bonito

A moda foi uma das expressões dessa diversidade. Na Praça da Liberdade, a passarela levou ao público criações que transformaram referências do território, técnicas artesanais e diferentes identidades em roupas e acessórios. Para o diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Eduardo Mendes, colocar essa produção em evidência também significa reconhecer a cultura como fonte de trabalho e renda.

“A moda e o artesanato mostram a força e a diversidade da nossa cultura. Quando damos visibilidade a essa produção, também criamos condições para que essas pessoas façam negócios, gerem renda, sustentem suas famílias e mantenham vivas as tradições e identidades de Mato Grosso do Sul”, afirmou Eduardo.

Identidade que veste

O desfile reuniu 12 marcas autorais, evidenciando a diversidade e a criatividade da moda produzida em Mato Grosso do Sul. Participaram Inspirae (@inspirae_), de Ana Mirian e Selma Brito; Anderson Bosh (@andersonboshmoda), de Anderson Bernardes Sanches; Espaço FNK (@espacofnk), de Edson Clair; Emilinha Leal Arte Nativa (@emilialealartenativa), de Emilia Cordeiro Leal; Touché (@touche.original), de Fábio Castro de Brito; F. Maurício (@f.mauriciobr), de Fábio Maurício da Silva; Lá Fazzi (@laafazzi), de Lara Fazzi; Hígor Euzébio Crochê (@higoreuzebio_croche), de Hígor Euzébio; C4 Criações (@c4_criacoes), de Janete Maria Cella; Ayele Tissu (@ayeletissu), de Kossi Ezou; Natasha Constantino Moda Africana (@natashaconstantino_modaafro), de Natasha Constantino; e Pure Extract (@purextractbr), de Willian da Silva Santos.

Mais do que colocar peças sobre uma passarela, o desfile permitiu que pequenos negócios vivenciassem etapas próprias do mercado da moda, da preparação dos looks e dos bastidores à apresentação das coleções diante de um público formado por moradores e visitantes de diferentes lugares.

Público pôde prestigiar o desfile marcado pela moda regional, reforçando a cultura sul-mato-grossense

Segundo a analista-técnica do Sebrae/MS Penelope Herradon, experiências como essa ajudam a transformar criatividade em posicionamento de mercado e contribuem para a profissionalização de uma cadeia que reúne estilistas, marcas autorais, costureiras, brechós e outros profissionais. “O desfile reconhece a moda como expressão cultural e criativa, mas também como oportunidade de negócios. Além da visibilidade, as marcas vivenciam as exigências do mercado, apresentam seus produtos de forma profissional, estabelecem conexões e percebem a importância do planejamento e da qualidade para crescer”, explicou.

Foi justamente a possibilidade de apresentar seu trabalho a novos públicos que levou Fábio Castro, da marca Touché, à passarela. Com a coleção Terra Null, o criador apostou em tons terrosos, modelagens amplas e sobreposições para apresentar sua leitura da moda autoral e do slow fashion.

Para ele, estar no Festival de Inverno amplia o alcance de marcas que produzem em pequena escala e dependem de espaços capazes de aproximá-las de novos consumidores. “É uma grande vitrine porque encontramos pessoas de várias cidades e estados. Para quem trabalha com moda autoral e pequena produção, essa visibilidade é muito importante. É também uma forma de apresentar os diferentes estilos, formar público e estimular as pessoas a conhecerem e consumirem nossas marcas”, contou Fábio.

Se algumas peças encontraram novos olhares na passarela, outras terminaram o festival prontas para atravessar fronteiras. Na coleção Casca Barro Mato Sul, Anderson Bosch trabalha com cores extraídas de elementos naturais, como terra, cascas e urucum, em uma pesquisa que procura levar para a roupa a identidade do território sul-mato-grossense.

Desfile da coleção Casca Barro Mato Sul, de Anderson Bernardes Sanches

Durante o FIB, peças da marca foram adquiridas por visitantes de outros estados e até de outros países. Duas delas, segundo Anderson, seguiram com uma visitante grega, levando para o outro lado do oceano uma criação tingida com elementos naturais do território.

“O festival abre portas para outros mundos. Ele traz visibilidade, venda, networking e encontros que podem gerar novas conexões. Ver uma peça feita com pigmentos da nossa terra seguindo para a Grécia é perceber que estamos mostrando o nosso território e conquistando outros territórios por meio da moda”, celebrou Anderson.

Criatividade que também movimenta a economia

A movimentação não ficou restrita à passarela. Ao longo do festival, o espaço de comercialização reuniu 30 expositores de moda e artesanato, criando uma oportunidade para que produtos carregados de identidade regional chegassem diretamente às mãos do público.

De acordo com a analista-técnica do Sebrae/MS, Daniele Muniz, responsável pelas ações de economia criativa, a participação aproxima os pequenos negócios de novos públicos. “As ações do Sebrae durante o Festival de Inverno de Bonito fortalecem a economia criativa ao dar visibilidade à produção local e aproximar pequenos empreendedores de um público amplo e diverso. Na moda e no artesanato, essa presença valoriza a identidade cultural de Mato Grosso do Sul, amplia oportunidades de comercialização, gera renda e cria conexões de mercado”, destacou.

Na avaliação do gestor de Mercado do Sebrae/MS, Luís Sandro Lima Ferreira Júnior, o fluxo de visitantes proporcionado pelo Festival de Inverno cria um ambiente especialmente favorável para que os pequenos negócios testem produtos, conquistem consumidores e fortaleçam suas marcas. “O FIB é uma importante vitrine para os empreendedores da economia criativa. Além de apresentar e comercializar seus produtos, eles podem conquistar novos clientes e fortalecer suas marcas. Dessa forma, o festival também se consolida como uma oportunidade de geração de negócios e renda, valorizando a criatividade, a produção local e a identidade cultural”, pontuou.

Pela primeira vez no Festival de Inverno, a artesã Terena Elida Fátima Júlio Antônio apresentou a produção do Núcleo Ceramista da Associação das Mulheres Artesãs Terena, de Campo Grande. Além das vendas, ela encontrou algo que considera igualmente importante: pessoas que ainda não conheciam o trabalho do grupo passaram pelo estande, perguntaram sobre a origem das peças e levaram contatos para manter a conexão depois do festival.

“Para uma primeira participação, vendemos bem, mas o mais importante também é sermos conhecidas. Muitas pessoas perguntaram de onde somos e pegaram nosso contato. Estamos conhecendo outros artesãos, visitando os espaços e criando relações”, pontuou.

A troca também marcou a participação de Solange de Souza Ledesma da Silva, presidente da Associação de Artesãos em Argila de Rio Verde (Riverarte). Em sua segunda participação no evento, ela levou peças de cerâmica que chegaram ao festival com novidades no acabamento e encontrou no contato direto com o público uma oportunidade para ouvir sugestões e aperfeiçoar a produção.

“Já no primeiro dia conseguimos comercializar peças, mas também recebemos sugestões e trocamos contatos. É uma experiência que permite aprender com outros artesãos e com o próprio público, agregar valor ao nosso trabalho e abrir possibilidades para novos pedidos depois do festival”, afirmou Solange.

A participação dos empreendedores no FIB também foi precedida por preparação. Durante o festival, 26 participantes receberam os certificados de conclusão da Jornada Criativa, capacitação voltada ao desenvolvimento dos empreendedores da economia criativa. A jornada foi estruturada em quatro etapas e trabalhou aspectos relacionados ao mercado, posicionamento, apresentação de produtos, atendimento e vendas, preparando os participantes para aproveitar melhor oportunidades de comercialização como a proporcionada pelo Festival de Inverno.

Mais informações aos empreendedores podem ser obtidas por meio da Central de Relacionamento do Sebrae, no número 0800 570 0800, ou pelo site: ms.sebrae.com.br.